Fui chamado ao tribunal: o que acontece agora?

Imagine que abre a caixa do correio e encontra uma carta com o logótipo do tribunal. O coração acelera e surgem várias dúvidas ao mesmo tempo: porque é que me estão a chamar? Tenho de ir mesmo? O que vão perguntar? Se foi chamado ao tribunal e não sabe o que esperar, este artigo foi escrito para si.

Receber uma notificação do tribunal pode ter significados muito diferentes. Tudo depende do motivo. Além disso, a sua posição no processo – arguido, testemunha, ofendido ou denunciante – muda completamente o que vai acontecer. Por isso, antes de qualquer passo, importa perceber em que qualidade o tribunal o convocou.

O que significa ser chamado ao tribunalA propósito do tema "fui chamado ao tribunal", temos a imagem de uma mulher, na rua, encostada à caixa de correio, a ler uma notificação do tribunal.

Ser chamado ao tribunal não significa que fez algo de errado. O tribunal chama pessoas por várias razões. Por exemplo, pode querer ouvir declarações, esclarecer factos ou garantir o exercício de direitos.

Normalmente, a notificação indica o motivo da convocatória e a qualidade em que deve comparecer. Em muitos casos, o documento refere se é arguido, testemunha, ofendido ou assistente. No entanto, se a notificação não for clara, deve esclarecer essa questão antes do dia marcado.

Em que qualidade foi chamado ao tribunal?

Esta é a questão central. O que acontece com um arguido difere totalmente do que acontece com uma testemunha. Por isso, deve analisar cada situação com atenção.

Se foi chamado como arguidoA propósito do tema "fui chamado ao tribunal", temos a imagem de um vulto numa sala de audiências.

O arguido é a pessoa sobre quem recai uma suspeita ou acusação num processo crime. No entanto, ser arguido não significa ser culpado. Significa apenas que o Estado investiga a sua eventual responsabilidade.

O Ministério Público ou o juiz chama o arguido quando entende que existem indícios que justificam a sua audição. Isso pode acontecer no início da investigação ou numa fase mais avançada. O arguido tem obrigação de comparecer. Ainda assim, pode justificar a falta em situações devidamente fundamentadas.

Além disso, a lei garante o direito ao silêncio. O arguido pode responder a todas as perguntas, a algumas ou a nenhuma pergunta. Por outro lado, o tribunal não retira conclusões negativas do silêncio.

Se o processo avançar para julgamento, o tribunal decide entre condenar ou absolver. Dependendo do caso, pode aplicar pena de prisão, multa ou outras sanções. Para compreender melhor o percurso do processo, pode ler este meu artigo sobre as fases do processo crime em Portugal.

Em jeito de comentário (verdadeiramente) isento – até porque isto não é feito por inteligência artificial -, nunca vá ao tribunal como arguido sem advogado. Isto porque, as suas declarações podem prejudicar a sua posição no processo de forma irremediável.

Se foi chamado como testemunha

A testemunha é alguém que conhece factos relevantes para o processo. No entanto, não é suspeita de qualquer crime.

O tribunal chama testemunhas quando entende que o seu depoimento pode esclarecer o que aconteceu. Isso acontece, por exemplo, quando esteve presente num local ou conhece os intervenientes.

A testemunha deve comparecer obrigatoriamente. Caso falte sem justificação, pode pagar uma multa. Em situações mais graves, as autoridades podem detê-la e conduzi-la ao tribunal. Regra geral, a testemunha deve responder e dizer a verdade. Ainda assim, existem exceções. Por exemplo, familiares próximos do arguido podem recusar depor. Além disso, qualquer testemunha pode recusar responder a perguntas que a possam incriminar.

Se mentir, a testemunha comete o crime de falso testemunho, o que pode trazer consequências penais sérias.

Se foi chamado como ofendido ou assistenteA propósito do tema "fui chamado ao tribunal", temos a imagem de uma mulher aparentemente vítima de um crime de violência doméstica.

O ofendido corresponde à vítima do crime. Já o assistente corresponde ao ofendido que decide participar ativamente no processo com advogado.

O tribunal chama o ofendido para esclarecer os factos. Muitas vezes, o seu depoimento assume relevância na decisão.

O ofendido deve comparecer. Caso não o faça, pode prejudicar o processo e a sua própria posição.

Em regra, responde às perguntas. No entanto, pode invocar o direito ao silêncio quando alguma resposta o possa incriminar.

Se foi chamado como denunciante

O denunciante corresponde a quem apresentou a queixa que deu origem ao processo. No entanto, não assume a posição de parte.

O tribunal ou o Ministério Público pode chamá-lo para esclarecer a denúncia. Além disso, pode precisar de confirmar factos ou obter mais informação.

A obrigação de comparecer depende da notificação. Se prestar declarações como testemunha, deve comparecer. Caso contrário, deve analisar cuidadosamente o conteúdo da convocatória.

Se apresentar uma denúncia falsa, pode responder pelo crime de denúncia caluniosa.

O que acontece no dia em que vai ao tribunalA propósito do tema "fui chamado ao tribunal", temos a imagem de quatro agentes da Polícia de Segurança Pública e uma viatura policial de fundo.

Muitas pessoas perguntam: fui chamado ao tribunal, o que devo esperar? A resposta ajuda a reduzir a ansiedade.

Antes de mais, deve chegar com antecedência. Leve o cartão de cidadão e a notificação. Depois, siga as indicações do pessoal do tribunal ou do seu advogado.

Normalmente, aguarda numa sala até o tribunal o chamar. O ambiente pode variar conforme a diligência. Por exemplo, um julgamento apresenta maior formalidade do que uma inquirição.

Dentro da sala, o juiz dirige os trabalhos. Cada interveniente fala no momento adequado. O processo segue regras claras, o que garante organização e proteção de todos.

O que deve fazer antes de ir ao tribunal

Preparar-se faz diferença. Por isso, deve seguir alguns passos simples.

Primeiro, leia a notificação com atenção. Verifique a data, a hora e a sua qualidade no processo.

Depois, consulte um advogado. Esta etapa assume especial importância, sobretudo se for arguido. O advogado explica os seus direitos e ajuda a preparar a intervenção.

Além disso, evite falar sobre o caso em público ou nas redes sociais. Qualquer declaração pode ter consequências inesperadas.

Por fim, organize documentos relevantes e mostre-os ao seu advogado antes da diligência.

Deve falar ou pode ficar em silêncio?A propósito do tema "fui chamado ao tribunal", temos a imagem do Dr. Joel Oliveira Santos Advogado Criminal em tribunal.

Esta decisão depende da sua posição no processo.

Se for arguido, pode exercer o direito ao silêncio. Pode falar ou não falar. No entanto, deve ponderar essa decisão com cuidado. Este momento pode ser determinante. Escrevi este artigo onde explico mais detalhadamente o que pode fazer.

Se for testemunha, deve responder e dizer a verdade. Ainda assim, pode recusar responder a perguntas que a possam incriminar.

Se for ofendido, responde aos factos. No entanto, também pode invocar o direito ao silêncio em situações específicas.

Por isso, a distinção entre arguido e testemunha assume especial importância.

O que pode acontecer depois

Depois da diligência, o processo continua. No entanto, pode seguir caminhos diferentes.

Se estiver na fase de inquérito, o Ministério Público pode arquivar o processo ou deduzir acusação. Para perceber melhor quando isso acontece, pode ler o artigo sobre quando é que um processo crime é arquivado.

Se o processo estiver em julgamento, o tribunal profere sentença. Esse momento pode ocorrer no próprio dia ou mais tarde. Para perceber melhor os prazos envolvidos, pode consultar o artigo sobre quanto tempo demora um processo crime em Portugal.

Se receber uma acusação, deve analisar o passo seguinte com cuidado. Pode ler mais neste meu artigo: “Recebi uma acusação num processo crime: o que acontece agora?“.

Conclusão

Receber uma notificação do tribunal causa preocupação. No entanto, deve agir com calma e informação. Primeiramente, é essencial perceber em que qualidade foi chamado. Depois, deve preparar-se e procurar aconselhamento adequado.

O processo penal português tem regras claras. No entanto, essas regras só produzem efeitos a seu favor quando as conhece e sabe aplicá-las.

Cada situação concreta apresenta especificidades próprias que não permitem uma análise apenas abstrata.
Quando subsistem dúvidas quanto ao enquadramento jurídico, uma análise concreta do caso pode revelar-se fundamental.

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